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Machu Picchu e a Gestão de Riscos

Vamos falar sobre Gestão de Riscos! Você sabia que os Incas já gerenciavam riscos no século XV? Conheça a história de Machu Picchu!

No artigo anterior falamos sobre a Teoria dos Jogos e agora neste artigo vamos falar sobre como os Incas gerenciavam os Riscos séculos atrás!

Quando começamos um projeto, uma das primeiras coisas que temos que fazer é o levantamento dos riscos do projeto. Mas será que as empresas realmente acompanham estes riscos depois de levantados? Ou apenas mantém o registro e ficam na torcida para que eles nunca aconteçam?

As empresas às vezes até traçam planos para mitigação dos riscos, definem algumas ações porém na maior parte dos casos acabam esquecidos em um documento qualquer do projeto. Veja seus últimos projetos: como você gerenciou os riscos? E quantos problemas você teve por falta de uma gestão eficiente de riscos?

Mesmo sabendo da importância desta área, muitos deixam de lado. Mas sabia que os incas gerenciavam riscos lá no século XV?

Machu Picchu só foi construída graças à Gestão de Riscos

Em 2016 realizei o sonho de conhecer Machu Picchu e pude entender o porque de ser um local tão facinante. Machu Picchu sobreviveu aos séculos apenas graças a uma incrível gestão de riscos no projeto de construção.

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Machu Picchu – História

Você construiria uma cidade no topo de uma montanha, com difícil acesso, num local que sofre com terremotos constantes? Hoje a maioria diria ser impossível ou o custo inviabilizaria a obra. Mas saiba que isso foi feito no século XV. Estamos falando da construção de Machu Picchu!

Após vencerem uma guerra contra seus inimigos, o imperador inca Pachacuti ordenou a construção de diversos monumentos e construções para mostrar o seu poder. Sua luta na região permitiu que controlasse mais de 10 milhões de pessoas!

Ele queria construir uma cidade incrível para demonstrar todo o seu poder para estes povos recém conquistados.

Machu Picchu tinha a capacidade de abrigar mais de 1000 pessoas. Foi construída num local que ficava à 160 km do centro do império de Pachacuti. Ela é considerada hoje o símbolo do império Inca.

Vamos falar do Processo de Gestão de Riscos

Podemos simplificar a Gestão de Riscos em apenas 6 partes:

  1. Regras: Como você fará a gestão de riscos? (Plano de Gestão de Riscos)
  2. Identificar os Riscos, usando brainstorm, entrevistas, documentos, etc.
  3. Quais os riscos são mais importantes? (análise quantitativa e qualitativa)
  4. Como estes riscos afetam o projeto? Causa, efeito, custos, prazos..
  5. Como enfrentar estes riscos? Plano de ação de cada risco.
  6. Monitoramento dos Riscos

Como construir uma cidade como Machu Picchu em um local tão difícil? Quais os riscos do projeto que impediria esta construção? Será que os incas poderiam começar a construção sem nenhuma análise? Certamente você já deve ter visto muitas obras que começaram e não terminaram por problemas simples como chuvas ou deslizamentos.

Machu Picchu – Segredos da sua Construção

Já imaginou o tamanho do desafio que foi construir uma cidade em um local que enfrentava chuvas durante todo o ano, além de problemas com terremotos? Como construir e garantir que ela não desmoronasse na primeira chuva?

Muitos acreditam que o segredo dela ter sobrevivido foi graças ao seu sistema de drenagem. Os incas desenvolveram um sistema onde colocavam pedras e rochas trituradas que evitavam o empoçamento das chuvas. Criaram cerca de 129 canais que se estendiam por toda a área urbana, levando a água para um reservatório e para a área agrícola.

Acredita-se que 60% do esforço com a construção foi usado nestas obras para drenagem. Ou seja, utilizaram 60% do trabalho no projeto justamente na mitigação de riscos. Este sistema garantiu que a cidade sobrevivesse até hoje! Mesmo com as chuvas atuais, você não verá poças de água pois o sistema funciona até hoje!

Mas como conseguir pessoas para trabalhar em uma construção dessas naquela época? Simples. Ao invés de utilizar escravos, o líder inca utilizou o próprio povo. Para eles se sentirem motivados a trabalhar, criaram um sistema onde quem trabalhasse na construção estaria pagando os impostos com o trabalho físico. Então rapidamente os supervisores da obra conseguiram reunir um número incrível de trabalhadores.

Isso nos lembra os projetos atuais. Temos muitas equipes desmotivadas com funcionários que não acreditam no projeto. Os incas que trabalhavam na cidade tinham orgulho do que estavam fazendo. Isso se refletiu na qualidade e funcionamento da cidade. O líder inca conseguiu no século XV criar uma forma de remuneração considerada justa, algo que muitos líderes hoje ainda não entenderam.

Voltando ao assunto da nascente, esta água ia para um reservatório que armazenava a água para uso dos habitantes. A água era transportada por canais tão bem feitos que o desperdício era mínimo! Tudo o que criaram na época era sempre voltado para a eficiência máxima. As pedras se encaixavam perfeitamente, dispensando qualquer tipo de produto para fixá-las, além de não desperdiçarem a água.

Eles faziam o melhor possível com os recursos disponíveis sem desperdício. Isso não se parece com os métodos ágeis que usamos hoje em dia? Tinham equipes integradas, bem remuneradas, satisfeitas, trabalhavam voltados para entregas de qualidade e tratavam os riscos conforme aprendiam.

Problemas…

Durante uma escavação, descobriram que este paredão não foi construído da mesma forma como os outros locais, usando base de pedra e rocha moída. Devido a isso, o solo está afundando gradualmente.

Como isso não é normal, os arqueólogos ficaram intrigados. Durante a construção, os próprios incas já corrigiam os problemas conforme eles aconteciam e aprendiam, não repetindo os erros. Mas porque não reconstruíram esta parte?

Especula-se que eles poderiam estar sob pressão para concluir esta parte da construção, decidindo por simplificar indevidamente nesta parte.

Isso não nos lembra dos projetos atuais? Devido à pressão por redução de custo e prazo, um dos primeiros cortes é justamente o valor usado para gestão dos riscos no projeto. Além disso, muitos dos riscos previstos em projetos só vão ocorrer após o término dele e infelizmente a maior parte dos gestores não se preocupam com o pós-projeto.

Você ainda encontra pedras soltas em Machu Picchu, soltas mas trabalhadas para serem usadas. Eles não conseguiram concluir a construção devido á invasão espanhola que destruiu todo o império Inca. Porém sabe-se que assim como as cidades atuais, a construção de Machu Picchu nunca teria fim. Ela continuaria crescendo e recebendo melhorias

Infelizmente a história mostrou mas não aprendemos…

Lembra que eles gastaram 60% do esforço do projeto na mitigação dos riscos da construção? Quanto você usa nos seus projetos? Infelizmente na maioria dos projetos esse esforço é bem menor. Veja abaixo alguns exemplos:

Muitos gerentes de projetos ignoram a gestão de riscos por acharem que ela é um desperdício para o projeto. Afinal, para que ele precisa reservar um dinheiro ou esforço para algo que nem pode acontecer?

Esse tipo de pensamento é o culpado pelo fracasso da maior parte dos projetos. Outro erro comum é inserir ‘gorduras’ no projeto, aumentando o tempo das atividades de forma a garantir que tenha condições de lidar com os riscos sem traçar um plano de ação.

Lembre-se: Um risco pode acabar com seu projeto!

Você pode ter sucesso no seu projeto com a gestão de riscos da mesma forma como os incas tiveram no século XV.

Na cidade histórica de Machu Picchu, lugar impressionante e inesquecível!

Referências:

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