O velho hábito de culpar os mortos - Site Campus

O velho hábito de culpar os mortos

O velho hábito de culpar os mortos

Você fala mal dos seus ex-colegas de trabalho? Tem o hábito de culpar os outros? Veja neste artigo as implicações de você prejudicar.

No artigo anterior falamos sobre o Design Thinking e como ele ajuda a melhorar a comunicação. E por falar em comunicação, neste artigo vamos falar sobre a comunicação negativa: O hábito de culpar um ex-funcionário.

Você certamente já ouviu a expressão “culpar o morto”. Sabemos que um morto não volta à vida. Se você não vive no seriado Walking Dead sabe que um morto não voltará caso seja injustiçado. Como ele não pode se defender é mais fácil culpá-lo por algo que tenha acontecido em vida.

É exatamente isso que acontece quando um funcionário deixa a empresa e seus colegas o culpam por qualquer problema que aparece.

Quando um empregador escolhe um funcionário, ele passa a ser responsável por ele, tanto pelos pontos positivos quanto negativos. Se ele não é capacitado, o empregador deve investir em treinamentos.

Fatalmente, quando um funcionário sai da empresa, ele acaba levando consigo muitos conhecimentos adquiridos durante o tempo de trabalho. É impossível que ele transfira todo o conhecimento para um novo funcionário, isso quando ele tem tempo ou disponibilidade para isso.

Fatalmente a equipe que continuar na empresa ficará um tempo considerável repassando as atividades que este ex-funcionário deixou. Possivelmente encontrarão erros, atividades não concluídas e também diversos acertos que a empresa não tinha conhecimento. A equipe não pode usar as informações encontradas como uma forma de proteção ou fuga do que precisam fazer.

Certos projetos podem levar anos! E justamente pela longa duração, dificilmente você manterá a mesma equipe durante todo o projeto.

Lembre-se: Não é porque você demitiu o seu pedreiro que terá que reconstruir seus muros!

O objetivo da gestão é acompanhar o projeto, armazenando as informações importantes e tomando as medidas diariamente. Dizer que “estava assim quando eu cheguei” não é correto independente da metodologia que você utilizar. Você deve entender o problema e tratá-lo rapidamente e não procurar culpados.

Fica mais grave ainda quando a equipe mente sobre o ex-funcionário. O problema não teve relação à ele mas a equipe insiste em se proteger culpando o ex-funcionário.

Mas e se este ex-funcionário descobrir o que estão falando dele?

Imagine que você está procurando um emprego e descobre que não passou na entrevista porque seu futuro chefe ligou para sua antiga empresa e alguém inventou mentiras a seu respeito. Ou mesmo que não fossem mentiras, reforçou os pontos negativos do seu trabalho. Sabia que uma recomendação negativa ou falsa pode acabar na justiça?

Não sou advogado nem nada parecido, mas realizei algumas pesquisas e encontrei alguns casos sobre isso.

Veja este caso no site da Univem. Basicamente, segundo a advogada trabalhista Caterine da Silva Ferreira, mesmo que o dono da empresa não seja o que difamou o funcionário ele é responsável pelos danos causados por eles. Dependendo do setor é fácil as pessoas se conhecerem e reunirem provas quando alguém é difamado. Ao fim do contrato, independente do ocorrido, ainda fica a boa-fé entre ambas as partes.

Não é que a empresa seja obrigada a falar bem de todos os ex-funcionários. A empresa deve seguir em frente e não focar em denegrir a imagem do ex-funcionário. Não tem opinião positiva? Então apenas não dê nenhuma.

Veja este outro caso no site  Conjur. Em resumo, um ex-patrão foi obrigado a indenizar um ex-funcionário devido à dar uma referência lesiva sobre ele.

Basicamente o ex-funcionário estava desconfiado de que seu ex-patrão poderia estar falando mal dele para novas empresas. Pediu para um amigo ligar para a antiga empresa, fingindo ser um novo contratante do ex-funcionário. Ele gravou toda a conversa onde o antigo patrão falava que o funcionário erra muito calculista, fazendo mal aos demais funcionários, falando que ele enrolava para trabalhar. Chamou até mesmo o ex-funcionário de “cobra cascavél”.

A justiça condenou o ex-patrão ao pagamento de 12 salários mínimos.
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Uma empresa consultar a anterior do funcionário é muito mais comum do que você pensa. Ainda mais para cargos gerenciais como os Gerentes de Projetos. Sua futura empresa pode consultar sua antiga, tanto seu chefe quanto outros colegas, você querendo ou não.

Se você perdeu um funcionário sabe que precisa seguir em frente. Se você fez algum de nossos cursos sobre métodos ágeis sabe que a comunicação positiva e integração da equipe é fundamental ao trabalho. Você não precisará crucificar um ex-funcionário pois gerenciando o projeto e equipe de maneira adequada terá todas as informações que precisa caso alguém deixe sua equipe.

Conclusões

O assunto não é simples mas deve ser tratado com seriedade. Guarde seus comentários negativos para si mesmo, não importa o quão esteja insatisfeito com seu ex-funcionário ou ex-colega de trabalho.

Se um problema apareceu, busque resolvê-lo ao invés de procurar culpados ou justificativas. Qualquer cliente irá valorizar mais sua busca pela solução do que por culpar alguém que não pode se defender.


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